segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Mulher Maldita

Tentei ti esquecer 
Com todas as minhas forças 
Usei de artifícios 
Para sumir de minha mente 

Era ecos durante a noite 
Era ecos durante o dia
O coração apertado 
Que saudade doida

Andei pela madrugada 
Olhando corujas 
Ratos, gatos, cachorros 
Animais noturnos

Me olhavam 
Como se soubessem 
De tudo que se passava 
Eram companhia a um ser sozinho

Não 
Não estava só
Atrás de mais uma dose
De um cigarro, um baseado

Para adormecer
Parar de doer
O cardíaco central
Bloquear a energia vital

Um desperdício orgástico
Solitário
Tudo pra fugir da ira 
Das vozes 

Minha mente 
Num complexo de tortura
De amor ao ódio 
Do sonho a realidade

Passei a compreender 
A origem da dor
A origem da raiva
De um conselho a outro 

De estranhas pessoas
O primeiro corte 
Foi como um desabafo
A carne branca aberta

O sangue vermelho chegando
Senti um alívio
Mas nem as sequências de cortes
Foram o suficiente

Para ti esquecer
Mas foram suficientes 
Para ti odiar
Por carregar pra sempre você 

Mulher maldita
Longe de mim
Uma sombra que ainda não aprendeu
A se desligar 

Mulher maldita 
Fez de mim uma guerra 
Não me sacia 
Me deprecia

Mulher maldita 
Sobrou as cicatrizes 
A tristeza 
A solidão

Mulher maldita 
Seu nome ainda ecoa
Na minha mente
No meu coração