Tentei ti esquecer
Com todas as minhas forças
Usei de artifícios
Para sumir de minha mente
Era ecos durante a noite
Era ecos durante o dia
O coração apertado
Que saudade doida
Andei pela madrugada
Olhando corujas
Ratos, gatos, cachorros
Animais noturnos
Me olhavam
Como se soubessem
De tudo que se passava
Eram companhia a um ser sozinho
Não
Não estava só
Atrás de mais uma dose
De um cigarro, um baseado
Para adormecer
Parar de doer
O cardíaco central
Bloquear a energia vital
Um desperdício orgástico
Solitário
Tudo pra fugir da ira
Das vozes
Minha mente
Num complexo de tortura
De amor ao ódio
Do sonho a realidade
Passei a compreender
A origem da dor
A origem da raiva
De um conselho a outro
De estranhas pessoas
O primeiro corte
Foi como um desabafo
A carne branca aberta
O sangue vermelho chegando
Senti um alívio
Mas nem as sequências de cortes
Foram o suficiente
Para ti esquecer
Mas foram suficientes
Para ti odiar
Por carregar pra sempre você
Mulher maldita
Longe de mim
Uma sombra que ainda não aprendeu
A se desligar
Mulher maldita
Fez de mim uma guerra
Não me sacia
Me deprecia
Mulher maldita
Sobrou as cicatrizes
A tristeza
A solidão
Mulher maldita
Seu nome ainda ecoa
Na minha mente
No meu coração


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